A empresa ideal: Tudo o que você precisa saber para contratar colaboradores com deficiência

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Descrição da imagem: #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na horizontal. Nela estão alguns funcionários com deficiência do Senac-SP, durante uma sessão de fotos para o catálogo da instituição. Na imagem estão profissionais com deficiência física, intelectual, auditiva e com nanismo. Fim da descrição.
Colaboradores do SENAC-SP posam para foto (Foto: Ivan Berger Fotografia)

Atualmente a Lei de Cotas garante os direitos trabalhistas da pessoa com deficiência no Brasil, e apesar de, na prática, nem tudo ser aplicado como deveria, as empresas estão contratando adequadamente estes colaboradores em um ritmo crescente.

Mas como seria a empresa ideal? De acordo com a consultora Fernanda Lima, da Talento Incluir – empresa que atua na inclusão de pessoas com deficiência na sociedade por meio do mercado de trabalho, a organização deve oferecer condições arquitetônicas para que o profissional com deficiência tenha autonomia para utilizar os espaços e os mobiliários.

Todas as informações relativas à acessibilidade física estão disponíveis na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR 9050:2015 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos).

“Também é importante, durante o período de seleção deste profissional, verificar se ele necessita de algum tipo de adaptação ou recurso tecnológico para desempenhar sua função de maneira adequada. Como há diversos tipos de deficiência, cada caso é um caso, mas com apenas uma conversa franca e natural a empresa terá as informações necessárias”, diz.

A contratante deve considerar que a maioria dos seus colaboradores não conviveu com pessoas com deficiência ao longo da vida, e sem essa vivência prévia surge um desconforto natural. O ideal é que a equipe, a gestão e o departamento de Recursos Humanos sejam preparados para lidar com a questão da deficiência de forma natural e efetiva. Se a empresa estiver disposta a falar sobre o tema e aprender sobre ele, as chances de uma convivência com ganhos para as duas partes é certa.

Em pesquisa feita pela Talento Incluir em parceria com o portal Vagas.com, com mais de 4.300 respondentes de todo Brasil, 58% afirmaram que o RH não está preparado para contratar profissionais com deficiência e 96% afirmaram que as empresas precisam treinar seus gestores. A mesma pesquisa revelou que: 40% já sofreu algum tipo de discriminação no trabalho, principalmente bullying. A cultura da empresa deve ser trabalhada para que a pessoa com deficiência deixe de ser vista nos extremos mais comuns, como incapaz ou super-herói, e passe a ser vista como uma pessoa  como as demais, com muitas características, dentre elas uma deficiência.

“A contratação de um profissional com deficiência deve levar em consideração seu perfil, e não sua deficiência, pois ela não define o potencial do colaborador. Na mesma pesquisa, quando perguntamos qual era a maior dificuldade do candidato com deficiência no mercado, 66% apontou a falta de oportunidade para o perfil. Cuidar do plano de carreira também é essencial para a relação entre contratante e contratado ser de sucesso”, afirma Fernanda.

 

Lei de Cotas

A Lei 8213/91, instituída em 1991 e regulamentada em 2004 (Decreto 5296/04), exige que toda empresa com cem ou mais colaboradores deve preencher de 2% a 5% dos seus cargos, com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, na seguinte proporção:

De 100 a 200 colaboradores – 2%

De 201 a 500 colaboradores – 3%

De 501 a 1.000 colaboradores – 4%

De 1.001 em diante – 5%

Os profissionais devem ser contratados por regime CLT, não sendo aceito para a Lei outros contratos de trabalho como temporários, estagiários ou jovens aprendizes.

 

Case de sucesso

Em dezembro de 2016, aconteceu o III Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. A iniciativa tem como objetivo dar visibilidade às boas práticas relacionadas à inclusão profissional das pessoas com deficiência e estimular as demais organizações a aperfeiçoarem seus programas de respeito à diversidade humana.

As empresas participantes foram avaliadas pela promoção da política dos direitos da pessoa com deficiência, igualdade de oportunidades e grau de sustentabilidade dos projetos, além das disponibilidades materiais e psicológicas, que viabilizem ao trabalhador com deficiência condição plena para desempenho de suas funções, visando sua inclusão social, autonomia e independência no ambiente de trabalho. Também foram considerados o potencial de reaplicação e a multiplicação das iniciativas. No caso das grandes empresas, essas também foram analisadas sobre o cumprimento da legislação perante a Lei de Cotas.

O Senac São Paulo, que possui aproximadamente 8.900 funcionários , sendo 460 deles com deficiência, superando o número exigido pela Lei de Cotas, conquistou o segundo lugar no ranking da premiação. O fato é resultado de um programa iniciado em 2002, que compreende dentre suas ações workshops de inclusão para mobilizar as equipes de trabalho em relação às deficiências. Todas as 60 unidades da empresa no Estado de São Paulo e as 17 da capital são acessíveis, e em cada uma delas há um profissional representante da inclusão, que é responsável por manter a acessibilidade do local, desde um banheiro adaptado até a regulagem da altura do relógio de ponto.

Segundo o coordenador do Programa de Inclusão do Senac São Paulo, Mario Augusto Costa Valle, o trabalho de inclusão na empresa é monitorado rigorosamente para que não se perca a qualidade da assistência prestada aos colaboradores com deficiência.

“Temos um desafio dobrado, por sermos uma escola, além de colaboradores, também recebemos alunos com deficiência, assim, nossos funcionários devem estar preparados para recebê-los. Também há dois princípios que seguimos piamente: eliminar barreiras de qualquer natureza para que todos possam produzir; e contratar as pessoas com deficiência mediante a sua competência, e não apenas para cumprir o que a Lei de Cotas exige. No Senac-SP todos podem se candidatar a qualquer vaga, 34% dos colaboradores com deficiência já tiveram pelo menos uma promoção desde que chegaram aqui”, finaliza.

 

O passo a passo da contratação eficiente

  1. Saiba que qualquer medida da empresa para incluir profissionais com deficiência só será eficaz se houver um compromisso firme da direção durante o processo seletivo;
  2. Dispor de um espaço acessível para receber este profissional ainda durante o processo seletivo;
  3. A empresa deve estar fisicamente preparada para receber este profissional, além de garantir condições e recursos para desempenhar seu papel;
  4. Oferecer treinamento adequado ao novo profissional no que diz respeito a suas responsabilidades e também sobre os preceitos da empresa;
  5. Orientar os funcionários sobre como receber e interagir com o novo funcionário;
  6. Combater quaisquer manifestações de preconceito com relação às diferenças;
  7. Acompanhar a adaptação do novo funcionário, avaliando se os recursos disponibilizados estão atendendo suas expectativas;
  8. Evite manter o profissional com deficiência fora de seu setor por falta de acessibilidade;
  9. É fundamental que a brigada de incêndio esteja preparada para lidar com os profissionais com deficiência em caso de emergência;
  10. Garantir o acesso à informação contida nos comunicados internos da empresa, independente da deficiência;

 

E lembre-se, em caso de dúvidas sobre como desenvolver um processo seletivo realmente inclusivo, procure ajuda profissional de uma agência especializada.

Portal Acesse

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